à amargura
Arranca metade do meu corpo, do meu coração, dos meus sonhos. Tira um pedaço de mim, qualquer coisa que me desfaça. Me recria, porque eu não suporto mais pertencer a tudo, mas não caber em lugar algum.
A única recompensa que você recebe depois de sofrer, é amadurecimento. Mais nada, afinal, vida não mima ninguém.
Você não merece isso. Você não merece a raiva que eu acabei de sentir. Você não merece o ódio que me dá quando lembro de você enquanto estou sozinha. Você não merece que eu te olhe desse jeito carinhoso que eu inventei de te olhar. Você não merece me atormentar só porque está agora com outra pessoa e não comigo. Você não merece que eu automaticamente adore todas coisas que você adora, só pra me sentir mais por dentro da sua vida, das suas coisas, de nós dois. Você não merece todas as horas que eu gasto pensando em você ao invés de estudar todas aquelas bostas sem sentido que o Kafka escreveu e vão cair na prova amanhã, no primeiro período. Você não merece que eu imagine você no lugar da minha namorada quando ela está com aquele peso todo em cima de mim. Você não merece um pingo de lágrima que eu já irriguei de saudade das nossas conversas. Você não merece meu ímpeto de sempre voltar à essa cafeteria fedida. Você não merece me derreter como se tivesse a porra de um raio laser implantado na sua íris. Você não merece ser a única pessoa em todo o planeta que sabe como me fazer sentir alguém admirável e especial no meio dessa aglomeração selvagem de gente histérica e egoísta por todo lado. Você não merece modificar toda a minha estrutura de vida apenas sendo isso que você é. Você não merece! Não merece! Não merece!
Eu lutei tanto pra gente dar certo, sabe. Eu fiz tanta coisa, eu perdoei tanta coisa, eu me esforcei tanto. Eu continuava mesmo quando eu não via saída ou esperança. Fiz tanta coisa por alguém que não fez quase nada por mim, entende? E isso me dá raiva. Porque eu te pedi tanto pra não me deixar ir embora, mesmo isso não sendo coisa que se peça. Mas eu pedi, implorei, supliquei pra que você não me deixasse ir. E quando eu disse que ia, você não contestou. Não me pediu pra ficar, ou mostrou que não era isso o que você queria. Quase que eu pedi pra ficar de novo. Mas eu percebi que amor não é assim. Pelo menos não o tipo de amor que eu preciso. Eu preciso de alguém que cuide de mim o suficiente pra que eu nem sequer pense em querer ir; e caso eu pense, alguém que me puxe pelo braço e me prenda pela cintura e me diga firmemente um “você não vai pra lugar nenhum”. Eu na quero mais ter que lutar sozinha, sabe? Eu quero conforto, eu quero carinho, eu quero paz… E você já não sabe me dar mais nada disso. Eu sei que não vou amar ninguém como amei você, eu sei disso. Mas eu não posso continuar fazendo isso comigo mesma. Eu preciso ir embora, preciso aprender a caminhar sozinha de novo. Isso que a gente tem feito de tentar continuar juntos tem sido uma tortura cruel e constante. Eu me lembro dos nossos planos e machuca, muito. Eu quero tudo aquilo ainda, eu quero mais do que qualquer outra coisa. Eu aprendi a amar esse futuro que nós construímos pra gente, e não vai ser fácil colocar ele de lado e entender que nada disso vai existir mais. Eu te peço pra se cuidar, e pra me guardar no seu coração. Porque você nunca vai sair do meu.
É exatamente disso que a vida é feita, de momentos. Momentos que temos que passar, sendo bons ou ruins, para o nosso próprio aprendizado. Nunca esquecendo do mais importante: Nada nessa vida é por acaso. Absolutamente nada. Por isso, temos que nos preocupar em fazer a nossa parte, da melhor forma possível. A vida nem sempre segue a nossa vontade, mas ela é perfeita naquilo que tem que ser.
Também não vale a pena fingir um equilíbrio que eu não tenho.